Um SDR de IA que mostrou o que faltava.
Um agente no WhatsApp para prospectar em escala. O piloto encontrou decisores, mostrou onde a conversa travava e mudou a ordem do roadmap.
- 59 de 144contatos de uma base fria responderam no piloto de agosto de 2026.
- 10 de 59conversas terminaram com um decisor encontrado ou um lead repassado ao vendedor.
- BANT → objetivosQualificação redesenhada e validada em sandbox.
Em resumo
- Problema
- A operação abordava poucos leads por vez. Nas palavras do gestor: "o mercado pede que eu atire de metralhadora, e eu estou atirando de sniper".
- Minha parte
- Descoberta, arquitetura do agente, sandbox de testes, medição de custo e decisões de produto.
- Decisão difícil
- Trocar a qualificação BANT e o pedido de orçamento obrigatório por objetivos fechados, e manter o SDR numa trilha paralela até o CRM conseguir medir o caminho do lead.
- Como validei
- Piloto de agosto de 2026 com 144 contatos de uma base fria: 59 responderam e 10 conversas encontraram um decisor ou viraram lead. As mudanças de conversa foram testadas antes numa sandbox com a equipe.
- O que mudou
- O piloto encontrou decisores numa base fria e mostrou que a conversão autônoma dependia de cadência e de um CRM para acompanhar o lead. O próximo lote foca no que funcionou.
Metralhadora, não sniper.
Propus uma entrevista de descoberta com o gestor para entender as necessidades da operação. Ele resumiu um dos problemas assim: "o mercado pede que eu atire de metralhadora, e eu estou atirando de sniper".
A proposta, construída em conjunto com a gestão, foi um SDR de IA no WhatsApp, capaz de abordar leads em escala e passar os qualificados para um vendedor.
Um revisor antes de cada mensagem.
Desenhei o agente como um grafo em Python e LangGraph. Um nó planeja o objetivo do turno, outro responde com contexto operacional recuperado por RAG, um revisor confere se a resposta tem base e cumpre o objetivo, e um último passo adapta o texto ao ritmo do WhatsApp.
Sem o revisor, os testes mostravam o agente fugindo da intenção planejada. Modelos menores classificam e decidem o handoff, e o maior só entra onde há raciocínio.
- 01
Planejamento
Um nó define o objetivo do turno a partir da conversa.
- 02
Resposta com RAG
Contexto operacional recuperado para responder com base.
- 03
Revisor
Confere base e objetivo antes de cada mensagem.
- 04
Handoff
Quando há decisor ou pedido direto, o vendedor assume.
Custo por conversa antes de escalar.
Um agente que fala com centenas de pessoas por semana pode sair do controle se ninguém souber quanto custa cada mensagem e quanto resultado ela traz. Registrei o custo de cada nó em cada turno, junto do desfecho de cada conversa.
Quase todo o custo estava em três etapas e vinha do tamanho do contexto, não da resposta. É ali que está a alavanca para crescer sem perder qualidade.
Boa exploradora, ainda não vendedora.
No piloto de agosto de 2026, a IARA abordou 144 contatos de uma base fria antiga. 59 responderam, cerca de 4 em 10. Dessas 59 conversas, 10 terminaram com um decisor encontrado ou um lead repassado ao vendedor, cerca de 1 em 6. O fluxo de conversa rodou sem erros de execução.
A IARA explorava bem quando o lead era receptivo, mas não guardava tudo o que descobria nem sabia retomar uma conversa parada. Faltavam ferramentas, objetivos claros por etapa e cadência.
Uma conversa do piloto.
No piloto, acompanhamos cada conversa de perto. Nesta, a base estava desatualizada: o contato tinha saído da empresa havia quase dois anos. A IARA não encerrou ali. Perguntou quem tinha ficado no lugar dele, explicou o que fazíamos quando ele quis saber, e descobriu que ele agora era gerente de manutenção numa indústria que usa os equipamentos que atendemos.
- IARA
Oie, [nome]? Sou a Iara da [empresa], tudo bem?
- Contato
oi
- IARA
Que bom falar com você! Me ajuda a te ajudar kkk: você é quem cuida da manutenção ou compras aí na [empresa anterior], ou atua em outra área?
- Contato
faz quase 2 anos que nao estou mais na [empresa anterior]
- IARA
Ah entendi, [nome]! Meu cadastro tava desatualizado então kkk. Por acaso você sabe quem ficou responsável pela manutenção ou compras lá na [empresa anterior] agora? Queria manter esse contato
- Contato
compras é corporativo
- IARA
Ah, compras corporativo, saquei! Por acaso você teria o nome de alguém desse time ou de quem ficou na sua vaga? Assim eu já direciono certo e não fico te enchendo por engano kkk
- Contato
dificil acesso la com eles
- IARA
Entendi, [nome], sem problemas! Muito obrigada por dividir isso comigo, me ajudou bastante. Qualquer coisa, é só chamar 🙏
- Contato
desculpa, trabalham com o que?
- IARA
Sem problema, [nome]! A [empresa] trabalha com peças de reposição pra equipamento industrial importado, tipo Alfa Laval, GEA, SPX, Tetra Pak. […] Você chegou a atuar com algo nessa área enquanto estava na [empresa anterior]?
- Contato
sim eu era coordenador de manutenção
- IARA
Coordenador de manutenção deve ser corrida viu, imagino a rotina que é! E hoje, você ainda tá atuando com manutenção industrial ou migrou pra outra área?
- Contato
atualmente utilizamos aqui na onde trabalho
- IARA
Opa, parece que a mensagem cortou no meio, [nome] kkk. Me conta, aí na onde você trabalha, o que vocês usam?
- Contato
sou gerente de manutenção no [indústria de sucos]
- IARA
Ah, gerente de manutenção no [indústria de sucos], ótimo saber! […] E aí [nome], você é quem dá aval pra entrada de novo fornecedor de peça, ou isso passa por outra pessoa acima de você?
- […] Trecho omitido
- Contato
gea, alfa e tetrapak em quase todos processos que tenho aqui
- IARA
Boa, GEA, Alfa Laval e Tetra Pak cobrem praticamente todo processo crítico mesmo. E desses, tem algum que costuma te dar mais dor de cabeça, seja por peça que trava a manutenção ou algo que fica te preocupando?
Ao ler a conversa, passamos o contato para uma vendedora. Dezenove dias depois ela visitou a empresa, e hoje estamos combinando uma palestra sobre trocadores de calor na unidade.
Logo depois desse trecho, ele perguntou se falava com uma IA, e a IARA afirmou ser uma pessoa. A causa estava na persona, que pedia para ela não se identificar como IA. No mesmo dia, troquei a instrução por uma regra explícita: perguntada, ela diz que é assistente virtual. Reforcei a regra no código, para não depender só do documento, e criei um teste com variações da pergunta.
O sistema marcou esse lead como contato inválido, porque o número não era mais da empresa antiga. A informação mais valiosa da conversa, a empresa nova, ficou só no texto. É um dos motivos de a SDR depender do CRM para registrar o ciclo do lead.
Menos perguntas, mais conversa.
A qualificação BANT virava uma sequência de perguntas e afastava o lead. Troquei esse desenho, e a obrigação de fechar sempre num pedido de orçamento, por objetivos fechados: cargo, empresa, setor e necessidade.
Construí uma sandbox em que a equipe conversava com o agente como se fosse um lead. Lá, as perguntas em sequência diminuíram e o agente passou a responder melhor quando o lead ia direto ao ponto. A pedido do gestor, o jeito de conversar das vendedoras virou referência de tom.
Medir o ciclo antes de escalar.
Sem um CRM, não havia como saber quanto a IARA participava do caminho do lead até a compra. A SDR passou a uma trilha paralela enquanto o CRM ganhava forma, e ele já começou a registrar essa participação.
O próximo lote foca no que o piloto fez bem: qualificar leads frios com pouca informação, encontrar decisores e enviar catálogos.

